Breve nota sobre formação
Este post não faz parte dos oficiais, mas eu vou deixar por aqui. Porque olhe...
É meio indignante.
Se você parar para prestar atenção, o modo como se oferece material na internet pressupõe a lógica do produtor-cliente. De certo modo não tem problema nenhum nisso aí, mas tem um ponto que fica sumido no meio disso tudo: todo mundo ensina conteúdo, mas não ensina a ser pesquisador.
Sei que o Ronald Robson parece estar tratando disso, mas ele é um caso isolado. Como não tenho como pagar pelo seu curso, também não sei de que modo ele está trabalhando, mas, ainda assim, me parece uma aplicação do modelo e método acadêmico de pesquisa, o que, por sua vez, é só um dos aspectos de ser pesquisador.
Porque veja bem,
por exemplo,
ontem aconteceu uma sucessão de acasos e eu consegui acessar o fórum antigo do Seminário de Filosofia. Eu era louco para conseguir ter esse acesso, mas nunca tinha achado a pista que faltava. Mas eu sabia que pista era essa, e isso tudo tem como ensinar. Como se usa um Wayback machine, por exemplo, que permite restaurar não só o fórum, como comunidades do Orkut, e afins. Esse tipo de coisa é possível de se ensinar, e mais do que elas, mostrar a necessidade de ter uma "malícia", ou, melhor dizendo, "intencionalidade" na hora de buscar algo na internet. Muito do que a gente quer é possível, mas é preciso procurar, e, para procurar, é preciso ter a intenção de procurar, para poder saber o que achar. Assim, por exemplo, "baixar um vídeo do Youtube". É mais fácil uma criança conseguir descobrir sites do que adultos, porque de algum modo
a criança consegue ativar essa intencionalidade, enquanto que o adulto, sei lá porque, se dispersa. A pessoa espontaneamente percebe, por exemplo, que no meio de 20 janelinhas de anúncio, uma delas vai ser a correta que vai permitir fazer o download do piratex.
Então tem duas camadas do ensino dessas coisas:
1- ensinar as tecnologias possíveis que quem ensina já conhece;
2- ensinar a tomar posse da intencionalidade para que o próprio aluno possa propor novas ideias do que pesquisar.
Isso falando no mais básico. Esses dois tópicos ficaram, nesse caso, mais explicitados quanto à busca e coleta de informações (no caso, baixar vídeo do youtube, ou achar um site raro etc. etc.), mas há também as questões de organização da informação e extração de significado. Seja qual for o caso, porém, esses dois tópicos continuam se aplicando. Independentemente da pessoa organizar sua pesquisa na forma de um tratado, de um ensaio, de um artigo, de uma ficção, de um poema.
Mas aí percebam
na medida em que esses assuntos não aparecem por aí, isso implica necessariamente que estamos formando pessoas com algum conteúdo, mas incapazes de expandir não digo a produção de conteúdo, porque aí é só imitar o mestre (mas que no fundo é só uma replicação), mas as novidades, as novas ideias, novas propostas, novos métodos.
Como faz pra resolver isso?
Não faz.





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