[001] Metodologia do Seminário de Cultura
P.S. 1: Precisa entender este post pra entender os outros? Não
Ps. 2: Este post aqui é o mais pesado de todos, pois é, eu já começo dando lapada. Depois assopra e é só alegria.
Bora lá, primeiro post.
Estou enferrujado em montar postagens, e, sinceramente, quero tentar fazer de uma maneira bagunçada, do jeito que eu gosto. Vou tentar fazer com que seja algo próximo de uma conversa. Não sei se vai dar certo, nem sei se vão gostar. E, sobretudo por isso, gostaria de um feedback pelo menos nesse primeiro. Mas, sem mais delongas, vamos começar.
Aliás, só mais um aviso:
A meta deste blog não é falar de verdades verdadeiríssimas, mas falar do verossímil, cada vez mais verossímil, se possível. Eu não quero te dar uma verdade exata, até porque não a tenho, mas um caminho em uma investigação. Ele se rege pela máxima se non è vero, è ben trovato, que seja pelo menos algo divertido que inspire novas ideias e novas investigações possíveis para vocês, como leitores, como para mim, enquanto monto os posts. Simbora-lo-á.
***
Mas, calma, antes de mais nada, vamos pra macumbaria.
Existe a macumba simples e a alta macumbaria. A macumba simples são as religiões que lidam com macumba tal como nós as nomeamos no português do dia a dia: candomblé, umbanda, quimbanda, e religiões que requerem alucinógenos para suas mensagens, incluindo jurema sagrada, santo daime etc.. Essas são as macumbas simples.
MAS SIMPLES? Mas e, mas, mas...
Simples.
Eu vou explicar? Eu não vou explicar, porque não é o tema deste post em específico. Mas, se essas são as simples, as complexas são de René Guénon a Pitágoras, passando, claro, por Platão.
"Por que chamar de macumba?"
Porque eu posso. Ou, antes de mais nada, por que não?
Mas vamos lá.
Eu acho importante fazer essa divisão como post 1, apesar de ser já um conteúdo pesado, porque dá uma ideia geral do que vai ser tratado por aqui, ou, melhor, do método em que serão tratados os conteúdos por aqui. Eu ainda não tenho certeza desse modelo, mas, até o momento, ele rende muitas ideias frutíferas. Funciona assim:
Supondo-se que eu fosse inventar religiões a partir da capacidade da inteligência humana -- ou seja, não estou falando das religiões em si mesmas, com todo o seu potencial, mas do valor intelectivo delas --, ao que parece, a coisa aconteceria em duas vias.
1ª via: A Ordem Natural.
Imagine um ser humano uga-buga no meio do mato. Um grupo de pessoas pode se reunir sob a força do sujeito mais forte (Aquiles) e/ou que seja menos forte, mas mais astuto (Odisseu). Mas só isso não é suficiente ou eficiente para manter um agrupamento coeso. No mínimo para facilitar esse processo, é preciso facilitar a entrada dos novos membros, ou seja, da próxima geração, de filhos. E aí a tribo cresce: ela tenta entender e descrever como funciona o mundo, e a tribo em particular. Nesse processo surgem os nomes: das funções da tribo, dos indivíduos, dos objetos em torno e um rascunho da descrição das leis naturais, ou seja, da regularidade da natureza.
No processo de perceber e descrever a regularidade da natureza: dia e noite, as estações do ano, o plantio e as épocas de chuva, de crescimento e morte, incluindo aí também a influência dos antepassados da tribo, seja pela genética, seja pela escolhas sociais que moldaram a tribo no presente (o local onde ela está, o modo como ela vive, assim como, por exemplo, toda a nossa vida começa moldada pelas decisões que nossos pais tomaram: a vida financeira, a relação deles com os próprios pais e com o ambiente em torno etc.). Daí surgem os espíritos ancestrais, a ordem e funções da tribo, e a espiritualização da natureza: a percepção, em suma, da inteligibilidade da natureza. Em suma, surgem os "deuses". É maravilhoso a trilogia de Orestes para enxergar como na palavra "deus" se sintetiza a percepção das leis naturais, das leis da convivência humana, da hierarquia de um grupo etc..
Já pelo lado específico da inteligibilidade da natureza, quem assistir o anime Fullmetal Alchemist Brotherhood vai ter uma plena visão disso no episódio 12: dois garotos de cidade pequena, com menos de 10 anos, soltos numa ilha deserta para sobreviver sozinhos por 1 mês.
Se você sobrevive bem a essa experiência, eventualmente surge a compreensão de que fazemos parte dessa mesma Natureza. E daí, por exemplo, me parece vir a ideologia ecológica, que é encarnada pelos indígenas brasileiros, na medida em que espiritualizam a Natureza em torno.
Mas existe um passo intermediário, antes de entrarmos na segunda ordem.
Ao enfatizar a inteligibilidade natural, eventualmente surge uma noção de um "tédio metafísico": tudo nasce e morre, tudo vem e vai, os dias se seguem, as estações se seguem, o Tempo passa e tudo o que é vivo morre, e tudo o que morre participa do nascimento da nova vida.
E também o "eu" faz parte desse ciclo, portanto também eu venho e vou. E daí pode surgir a percepção da ciclicidade da existência. O Rinne (roda de renascimentos), ou samsara.
Eu não vou detalhar isto aqui, mas o outro elemento essencial para o Renascimento é a percepção da hierarquia. Essa hierarquia já estava presente na tribo, pelas funções sociais. Mas agora se somam os conhecimentos anteriores. Eu me imagino no meio do mato olhando para a natureza, o braço esticado apontando para baixo e o direito para cima.
Eu vejo primeiro as pedras, inativas, impassíveis conforme seu acúmulo de massa. Depois vejo as plantas, que nascem e morrem, mas não podem por si mesmas se mexer. Depois vejo os seres animados, e eu pareço com eles, mas tem algo esquisito. Eu sei falar sobre eles, mas eles não parecem saber falar sobre mim. Eu sei nomeá-los, mas eles, apesar de terem alguns nomes (categorias classificatórias, como ser comestível, amigável, perigoso etc.), não tem a mesma capacidade. E aí eu olho para os outros como eu, mas eles vivem, e eu estou inquieto por alguma coisa. E aí eu olho também para cima, porque se existe uma diferença entre só viver e viver inquieto, deve haver mais coisas acima disso. São os seres mais evoluídos: alguns querem nomeá-los de alienígenas, outros de anjos, outros de deuses, outros de forças ocultas, e eles não são a mesma coisa, mas ainda assim apontam para uma mesma direção: acima do homem.
O que vem em seguida?
2ª via: A Ordem Intelectiva
Por que eu estou falando dessas coisas?
Uai, porque sempre que eu falar de culturas, eu vou falar em termo de ordem intelectiva ou ordem natural. Do modo como vejo, a arte asiática, ao menos a mais representativa, faz parte de uma descrição da ordem natural do mundo. E a nossa, ocidental, é da ordem intelectiva. As duas são úteis, as duas se complementam, mas aí vem a pergunta crucial:
-- De outro lado existe a descrição do cérebro humano e como ele capta o mundo externo, seja pelas Neurociências em geral, a Ciência Cognitiva e derivados.
Em outras ibagens:




















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